O
Rádio como Ferramenta Didático Pedagógica no Ambiente Escolar
Radio as Pedagogical Teaching Tool in the School
Environment
Manoel
da Ressurreição Farias Pinto*
Jacks de Mello Andrade Junior**
Resumo
A
rádio escolar é uma ferramenta capaz de promover políticas pedagógicas que
nortearão o processo de ensino e aprendizagem, dinamizando-o e
diversificando-o, proporcionando ao aluno momentos de reflexão, interação e
promoção social. Este trabalho é o recorte de uma pesquisa realizada em uma
escola pública na cidade de Macapá, capital do Estado do Amapá, no intuito de
averiguar como a rádio escolar atua e torna-se uma ferramenta pedagógica
impactante no processo de construção do conhecimento.
Palavras-chave:
tecnologias, comunicação, ensino, pedagogia.
Abstract
School radio is a tool capable of
promoting pedagogical policies that will guide the teaching and learning
process, streamlining and diversifying it, providing the student with moments
of reflection, interaction and social promotion. This work is part of a
research carried out in a school in the city of
Macapá – AP, in order to find out how school radio acts and becomes a
pedagogical tool impacting in the process of knowledge construction.
Keywords: technologies,
communication, teaching, pedagogy;
Introdução
Este trabalho de pesquisa tem como foco a
utilização da rádio como ferramenta didático pedagógica no ambiente escolar,
mais especificamente nas séries finais do Ensino Fundamental II da Escola
Estadual Professora Maria de Nazaré Pereira Vasconcelos, na cidade de Macapá,
no Estado do Amapá, onde se buscou averiguar como está sendo utilizada a rádio
escola como ferramenta didático pedagógica e quais contribuições essa
ferramenta trouxe para o dia a dia da escola, quais impactos provocou na vida
da comunidade escolar e no convívio dos alunos, pois a tecnologia é uma
realidade na educação brasileira, porém, se tem percebido que os profissionais
não dispõem do devido preparo para atuar satisfatoriamente nesse contexto de
mudanças e inovações tecnológicas. Muitos professores
tem grande dificuldade de inserir em sua prática pedagógica a tecnologia por
falta de habilidade decorrente do seu despreparo no uso dessas ferramentas,
outros nem tanto, pois já se vê um grupo crescente de profissionais da educação
fazendo o uso desses aparatos tecnológicos no seu fazer pedagógico e essa
prática será mais constante se o profissional da educação se inserir na
formação continuada prevista na LDB 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional).
A escola campo está localizada na Rua dos Oliveiras, no
bairro das Pedrinhas, na cidade de Macapá, capital do Estado do Amapá,
atendendo a uma clientela de 1.100 alunos do Ensino de 5º ao 9º anos, 3ª e 4ª
etapas da EJA (Educação de Jovens e Adultos) do Ensino Fundamental II e 1ª
Etapa do Ensino Médio EJA, implantado em 2018.
A Escola é composta por uma diretora, um diretor adjunto,
uma secretária escolar, um corpo técnico com 4 (quatro) profissionais
distribuídos nos três turnos, 70 (setenta) professores das mais diversas áreas
do conhecimento, 11(onze) auxiliares de serviços gerais, 9 (nove) merendeiras,
existem 3(três) funcionárias do quadro federal a disposição do estado que atuam
como auxiliares na secretaria da escola.
A escola possui 16 salas de aula, sala da direção, uma
biblioteca, secretaria escolar, sala do serviço técnico, sala do AEE
(Atendimento Educacional Especializado), sala dos professores (as), sala do
Núcleo de Práticas Restaurativas, LIED (Laboratório de Informática Educativa),
sala de leitura, estúdio da Rádio Escola, Tv escola, quadra poliesportiva,
depósito de merenda, depósito de material permanente e de limpeza, cozinha e
lanchonete.
A escola atende áreas periféricas da cidade, tais como os
bairros do Araxá, Pedrinhas, Muca, Marco Zero e Jardim Equatorial, os alunos
oriundos desses bairros, são quase que na sua totalidade pertencentes a
famílias de baixa renda, não usufruindo de saneamento básico, rede de esgoto e
uma residência adequada, pois uma grande parte deles reside em invasões e
palafitas, as quais muitas vezes o acesso é muito difícil, feito através de
passarelas construídas em madeira.
Os professores da escola são todos graduados e uma grande
parte pós-graduados, tendo em seu quadro mestres, mestrandos e um doutorando.
Todos os servidores dos serviços gerais e as merendeiras possuem o ensino médio
completo e existe uma merendeira fazendo curso superior.
A
POTENCIALIDADE DOS RECURSOS TECNOLÓGICOS NA EDUCAÇÃO
Os aparatos
tecnológicos, tem se desenvolvido ao longo dos tempos, o homem pré-histórico já
se utilizava de tecnologias para organizar, fabricar seus utensílios, suas
ferramentas. Uma prova disso, são os registros através de símbolos
iconográficos mostrando como eles pescavam, viviam, caçavam, como realizavam
seus rituais e suas danças (KENSKI, 2003; MARCONDES FILHO, 1988,1994).
Segundo Pons, no campo educacional, a tecnologia surgiu
na década de 40 nos Estados Unidos como componente curricular na Universidade
de Indiana, nos estudos de educação Audiovisual constituindo o primeiro campo
específico da tecnologia educativa. A Psicologia da aprendizagem na década de
1950, se torna campo de estudo curricular da tecnologia educacional,
influenciando para que esta se desenvolvesse como disciplina dos currículos
pedagógicos.
Portanto, como se vê, a tecnologia atravessa gerações
contribuindo com a construção do conhecimento e ela está presente em todas as áreas do conhecimento
e na educação não é diferente, pois os alunos estão cada vez mais inseridos
nesse contexto.
O que se percebe é que não há uma formação adequada para
o professor para que ele possa utilizar as ferramentas digitais disponíveis na
escola, o que se vê são oficinas ministradas nos núcleos de tecnologias
educacionais o que parece não preparar o professor satisfatoriamente para que
este insira de maneira eficaz essas ferramentas no dia a dia do seu fazer
pedagógico, causando com isso certo desconforto e uma eminente frustação nele e
nos alunos. Essa nova forma de se fazer educação requer novos conhecimentos a
esse profissional, porém, ele ainda está longe de fazer o uso adequado desses
aparatos por falta desse preparo, dessa habilidade.
Para Moran (2012, p.13);
a
educação fundamental é feita pela vida, pela reelaboração mental-emocional das
experiências pessoais, pela forma de viver, pelas atitudes básicas da vida e de
nós mesmos’. Assim, o uso das TIC na escola auxilia na promoção social da
cultura, das normas e tradições do grupo, ao mesmo tempo, é desenvolvido um
processo pessoal que envolve estilo, aptidão, motivação. A exploração das
imagens, sons e movimentos simultâneos ensejam aos alunos e professores
oportunidades de interação e produção de saberes.
A tecnologia é uma ferramenta importante na construção do
conhecimento, porém, o professor é o administrador do processo, é ele que media
com a ajuda das ferramentas digitais todo o ensino, auxiliando seu aluno no
decorrer de todo o processo de aprendizagem. A tecnologia proporcionou mudanças
na forma de ensinar e construir conhecimento, trazendo novas demandas para o
professor, não apenas como recursos midiáticos e tecnológicos, mas o professor
precisa elaborar novas metodologias e formas no seu fazer pedagógico, para que
possa inserir eficazmente esses aparatos tecnológicos no intuito de se
construir conhecimentos que sejam significativos na vida do aluno.
Como se vê, as TIC (Tecnologia de Informação e
Comunicação) têm uma importância significativa
na vida da sociedade, elas vieram transformar de modo excepcional os organismos
sociais, pois elas estão inseridas em todos os seguimentos da sociedade, em
todas as áreas do conhecimento, e na educação ela oferece amplos recursos para
que professores e alunos a utilizem na construção do conhecimento como meio
facilitador do processo ensino aprendizagem, entretanto, cabe a estes agentes,
fazerem o bom uso desses aparatos tecnológicos.
Segundo
(ARAÚJO, 2017), O rádio é um veículo de comunicação de longo alcance e muito
utilizado principalmente pela massa populacional da Amazônia e tem uma função
social muito importante, sendo responsável em levar informação e
entretenimento, contribuindo significativamente com as populações de todas as
regiões do país.
À
escola compete, formar pessoas que compreendam e dominem o sistema de produção
de informação, partindo dessa premissa, a Escola Estadual Maria de Nazaré
Pereira Vasconcelos, através do Projeto “Radio Escola”, objetiva a formação de
cidadãos críticos e participativos no intuito de melhorar sua capacidade
criadora para que possam atuar com zelo e responsabilidade na vida em
comunidade, melhorando assim, a sua comunicação e concomitantemente o processo
de construção do conhecimento, considerando o conhecimento prévio do aluno,
para que se possa utilizar esse potencial e contribuir com o processo ensino
aprendizagem, tendo ele, participação ativa nesse processo.
O
projeto rádio escola quer suprir em seus alunos a deficiência de compreensão e
demais dificuldades no processo ensino aprendizagem e desenvolver competências
e habilidades referentes às tecnologias de comunicação, desenvolvimento de
leitura, oralidade e expressão corporal.
A escola como espaço privilegiado de construção do
conhecimento, deve promover ações pedagógicas inovadoras no sentido de vencer
as dificuldades, utilizando-se de ferramentas tecnológicas, e neste caso os
meios de comunicação, para que com a implementação da rádio escola, esta possa
contribuir com a formação de seus alunos, para que estes possam se apropriar e
produzir conhecimentos e assim serem sujeitos de sua própria história.
O
projeto “Rádio escola”, está sendo desenvolvido no intuito de melhorar o desenvolvimento
da escrita e oralidade dos alunos, pois se entende que o rádio é um meio de
comunicação que envolve o aluno, estimulando sua capacidade criadora e
facilitando o processo ensino aprendizagem.
As
novas tecnologias surgiram para melhorar a vida das pessoas, se bem utilizadas,
elas servirão de ferramentas, de suporte técnico tecnológico para a construção
do conhecimento. A rádio é uma dessas ferramentas, que servem de suporte para
que professores e alunos possam construir conhecimento significativo, ajudando
de forma efetiva, estimulando o melhor desenvolvimento escolar do educando,
tais ferramentas tecnológicas agem como facilitadoras desse processo de
construção do conhecimento, agindo de forma transformadora, uma vez que o aluno
parte da teoria para a prática.
Hoje, a tecnologia proporciona esses momentos de
interação e construção na vida das pessoas, porém, o profissional da educação
precisa estar preparado para adequar essas ferramentas a sua prática
pedagógica.
Para Almeida (2000, p.11):
[...] A minha
participação em tais atividades de formação fez com que eu me conscientizasse
de que a adequada preparação do professor é o componente fundamental para o uso
do computador em educação, segundo uma perspectiva perceptiva
crítico-reflexiva.
Essa reflexão tem que fazer parte do dia a dia da escola,
o professor juntamente com a coordenação pedagógica e administrativa escolar,
precisam estar conectados com essa problemática, pois sem essa formação
continuada torna-se inviável introduzir a tecnologia na educação, o professor
precisa se dispor para esta formação. A qualificação profissional é que vai
dirimir os rumos de uma educação de qualidade voltada para o desenvolvimento
intelectual tecnológico do educando, mas antes o professor precisa passar por
essa qualificação.
Valente (1999), enfatiza que, a tecnologia é
um recurso que objetiva a resolução de problemas concernentes as necessidades
do sujeito em determinada realidade social. Pode-se dizer entretanto, que a
tecnologia pode fazer a diferença na vida do sujeito que vive em
vulnerabilidade social, proporcionando-lhe vivenciar uma outra realidade, pois
através dos meios tecnológicos o indivíduo pode libertar-se, pois a educação é
o maior meio, o melhor e maior canal de liberdade, de desprendimento da
ignorância que o indivíduo está submetido, saindo da inércia para o mundo das
descobertas e do desenvolvimento social e cultural.
As razões da incorporação das TIC às práticas educativas
são:
Adequação do sistema
escolar às características da sociedade da informação; preparação de crianças e
jovens para as novas formas culturais digitais; incremento e melhoria da
qualidade dos processos de ensino; inovação dos métodos e materiais didáticos,
entre outros (SANCHO et. al., 2006, p. 153)
Como se observa, a escola precisa adequar-se aos meios
tecnológicos disponíveis para que possa oferecer aos seus alunos de todas as
faixas etárias, níveis e modalidades de ensino, essa possibilidade de mudança
na sua aprendizagem, preparar seus educandos para essa nova cultura digital é
papel da escola e de seus precursores, o professor precisa estar preparado para
oferecer essa melhoria da qualidade da educação através dos meios midiáticos,
inovando seus métodos e adequando seus materiais didáticos a essa nova realidade.
Moran (2013, p. 29) afirma que:
Nosso desafio é caminhar para um
ensino e uma educação de qualidade, que integre todas as dimensões do ser
humano, para isso, precisamos de pessoas que façam essa integração, em si
mesmas, do sensorial, intelectual, emocional, ético e tecnológico, que
transitem de forma fácil entre o pessoal e o social, que expressem nas palavras
e ações que estão sempre evoluindo, mudando, avançando.
Está se caminhando sim, para uma educação tecnológica onde o professor
trabalha integrando a tecnologia a todas as dimensões do indivíduo, porém, o
momento não é só de experimentar ou simplesmente inserir no contexto escolar o
uso das novas tecnologias, mas também de se fazer uma reflexão da inserção
desses recursos tecnológicos no dia a dia da comunidade escolar, pois se sabe
que a escola não disponibiliza de recursos materiais e mão de obra qualificada,
o que comprometeria o acesso às novas tecnologias a todos que compõem a escola,
outra situação é a formação do professor, que em grande parte não está
qualificado para adequar essa ferramenta ao currículo, comprometendo sua
utilização para fins educativos, pois o que se vê muito é a utilização desses
aparatos tecnológicos como meios de entretenimento e lazer. Sabe-se que as
tecnologias podem proporcionar inúmeras oportunidades de acesso a informação e
consequentemente favorecer a construção do conhecimento, e claro, todos os
educadores são sabedores desse potencial, porém, vale ressaltar que a escola
ainda está longe de proporcionar ao seu educando essa facilitação, pois apesar
dos investimentos, ainda é pouco para a demanda e os recursos insuficientes
para atender as necessidades da educação, haja vista que as escolas estão mal
equipadas e sem mão de obra qualificada para sanar seus problemas técnicos, ou
sem recursos para garantir essa manutenção. Podemos chamar de discursivo a
política praticada pelo governo, pois os recursos disponibilizados à educação,
não suprem as necessidades básicas da escola no campo tecnológico.
O desafio do professor é aliar tecnologia ao aprendizado do aluno,
promovendo uma educação eficiente e atraente, mas como fazer isso, sem os
devidos incentivos, pois quando entra nas salas ambientes o professor se depara
com equipamentos obsoletos, sem internet ou sem acesso a grande rede, sem falar
na resistência de alguns profissionais ou sua indiferença e rejeição a essa
nova forma de se fazer educação.
O rádio no Brasil
Segundo Castro, (fundador da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e
Televisão – ABERT), o rádio no
Brasil, surgiu no dia 07 de setembro de 1922, por ocasião das comemorações do
centenário da Proclamação da Independência, transmitindo a fala do presidente
Epitácio Pessoa, quando na oportunidade foi inaugurada a radiotelefonia
brasileira, a partir daí, Roquette Pinto, um médico que pesquisava a
radioeletricidade para fins fisiológicos, convenceu a Academia Brasileira de
Ciências a promover o patrocínio da criação da Rádio Sociedade do Rio de
Janeiro, sendo que a rádio começa suas operações no dia 30 de abril de 1923.
De acordo com Castro, entre os anos de 1923 e 1924,
muitas rádios surgiram pelo país, dentre as quais podemos citar: a Sociedade
Rádio Pelotense em Pelotas, no Rio Grande do Sul; A Rádio Sociedade Gaúcha, em
Porto Alegre; A Rádio Club Belo Horizonte, em Minas Gerais; a Rádio Club
Paranaense, em Curitiba; a Rádio Club São Paulo, na capital paulista; a Rádio
Club Ribeirão Preto, a primeira emissora do interior; a Rádio Club do Pará, a
pioneira do extremo Norte do país, dentre outras. Todas essas rádios nasceram
como clubes e sociedades, pois a legislação brasileira proibia o uso de
publicidade, sendo portanto, sustentadas por seus associados, resultando assim,
em empreendimentos da sociedade civil organizada.
Castro afirma que, no ano de 1935, é inaugurada a Rádio
Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, pelo governo Getúlio Vargas, responsável
pela transmissão da Voz do Brasil, programa transmitido até hoje. A partir daí,
surge também a Rádio Kosmos em São Paulo, que cria os primeiros programas de
auditório, permitindo a participação popular, quando surgem os primeiros ídolos
do rádio, como: Linda Batista, Araci de Almeida, Francisco Alves, Carmen Miranda,
Orlando Silva, Silvio Caldas, dentre outros. Também foi a primeira emissora a
constituir uma equipe de jornalistas. No ano seguinte, acontece a inauguração
da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a primeira grande emissora brasileira,
líder de audiência durante duas décadas. Em 1937, acontece a inauguração da
Rádio Tupi de São Paulo, elegendo a cantora Linda Batista como a “Rainha do
Rádio”.
Castro
afirma que, no ano de 1997, 90,3% dos lares brasileiros são equipados com
aparelhos de rádio, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística).
Para Castro, as rádios virtuais na internet começam a se
destacar a partir do ano de 2000, nesse período entra em atividade a radio
click do Sistema globo de Rádio, sendo que a partir de 2005, as principais
emissoras começam a testar a difusão digital de sua programação.
O rádio na Amazônia
Em
seu artigo “A Voz da Amazônia nos anos 30: Rádio, Intelectuais e Política”,
Érito Vânio Bastos de Oliveira, relata que a radiodifusão na Amazônia, surgiu
no dia 22 de abril de 1928, esta data é o marco inicial da radiodifusão na
região, foi após reunião no Largo da Trindade, em Belém do Pará, que contou com
a presença de autoridades da época que se criou a Rádio Clube do Pará. Assim,
se concretiza o sonho de uma emissora de rádio e o princípio das primeiras
transmissões radiofônicas na Amazônia, concretizava-se assim, no final da
década de 1920, a Amazônia, tal igual ao restante dos principais centros do
país, tinha sua rádio implantada e em funcionamento.
Para o autor acima citado, a ideia de se criar uma
emissora de rádio na Amazônia, surgiu dos intelectuais da época, dentre eles
existiam políticos, militares, médicos, músicos, dentre outros. A Rádio Clube
do Pará, foi organizada como uma associação ou clube, onde seus associados
pagavam taxas ou mensalidades, que gozavam de algum tipo de benefício ou
privilégio.
Segundo
Oliveira, a rádio tem um papel muito importante na vida dos amazônidas, pois
com seu alcance, ela serviu para integrar socialmente as populações dos mais
longínquos lugares, favorecendo ao povo tomar conhecimento ou criar sua
identidade nacional, sendo que o primeiro programa responsável por essa
mudança, foi o que se utilizava do prefixo, “a voz que fala e canta para a
planície”, porém, essa identidade, era patrocinada pelo governo Vargas, que comandava
o país na época, também era muito comum nesse período, palestras e
conferências, que discorriam sobre variadas temáticas, contribuindo dessa
formação social, saúde e educação da população, e aqui se percebe como o rádio
é esse veículo de comunicação de massa, capaz de transformar uma sociedade.
Metodologia
O presente trabalho teve como método de pesquisa o estudo
de caso e como técnica de pesquisa a entrevista estruturada, elaborada em forma
de questionário. Os sujeitos dessa pesquisa foram: um professor de história,
uma professora coordenadora da biblioteca escolar, dois professores do AEE
(Atendimento Escolar Especializado), uma merendeira, uma coordenadora
pedagógica e 25 alunos de três turmas do sétimo ano do Ensino Fundamental II.
A coleta de dados se deu mediante a apresentação do
projeto para o corpo técnico e administrativo da escola campo e posteriormente
foi entregue o questionário aos entrevistados, que responderam no mesmo dia da
entrega e devolvido ao pesquisador. Os dados foram registrados em uma ficha e
depois digitados para tabulação dos resultados.
Para esse tipo de pesquisa, Triviños (1987, p.133-134)
considera como uma categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se
analisa profundamente. Expõe, também, que a complexidade do exame aumenta à
medida que se aprofunda o assunto.
Para Vergara (2000, p.46), a coleta de dados é a forma de
como se obtêm os dados necessários para responder ao problema. Assim, os meios
utilizados para a investigação dos dados foram: pesquisa de campo,
bibliográfica e estudo de caso. A pesquisa de campo é, com efeito, uma
investigação empírica, realizada no local em que há os elementos necessários.
Discussão
dos resultados
O
levantamento foi estruturado em forma de questionário e entregue a alguns
professores, a uma supervisora escolar, a uma merendeira e a 25 alunos, porém,
alguns profissionais não devolveram, bem como alguns alunos. A estrutura do
questionário foi realizada com 10 (dez) perguntas abertas, preservando a
identificação dos entrevistados.
Quando
perguntado sobre a existência de rádio na residência, 18 dos entrevistados
responderam que sim, possuem Rádio em casa; 7 responderam que não.
Como
se percebe, o rádio ainda faz parte do convívio de muitos lares brasileiros,
que se utilizam desse meio de comunicação para se manterem informados ou para
seu entretenimento.
Quando perguntado se escuta rádio, 16
responderam que sim; 4 disseram que não escutam e 5 disseram que escutam de vez
em quando.
O
questionamento acima permitiu verificar o interesse das pessoas pela utilização
da mídia rádio no seu dia a dia, apesar de se verificar o crescente crescimento
das tecnologias digitais, mas o interesse pelo rádio ainda permanece nas
pessoas.
Perguntado
sobre a frequência com que se escuta rádio, um entrevistado falou que escuta
diariamente no carro; 4 responderam que todo dia; 6 com pouca frequência; 5
quando vai dormir; 4 no final de semana e 5 não responderam essa pergunta.
Como
se percebe o rádio ainda é um importante e abrangente veículo de comunicação e
na escola ele deve auxiliar o processo de construção do conhecimento, sendo um
espaço democrático de ampliação desse conhecimento.
Foi perguntado se o entrevistado possuía
celular, 17 responderam que sim e 8 disseram não possuir.
Essa
tecnologia já faz parte do cotidiano da maioria dos brasileiros, porém, uma
grande parte dos alunos entrevistados não dispõe desse aparato tecnológico por
pertencerem a classe social de baixíssima renda.
Quando
perguntado se gosta de ouvir rádio, 18 responderam que sim; 2 responderam que
não e 5 disseram que um pouco ou mais ou menos.
Esse interesse pelo
rádio é muito importante para o desenvolvimento intelectual do indivíduo, pois
esse veículo de comunicação mantem seus ouvintes atualizados e bem informados.
“O rádio tem a vantagem de ser uma mídia flexível, permitindo uma reportagem
com informações de qualquer lugar do mundo e proporcionando a atualização
rápida de material a custos técnicos reduzidos” (MOORE e KEARSLEY, 2007).
Quando
pergunta se a pessoa considera a rádio escolar uma ferramenta pedagógica
importante, uma entrevistada respondeu que sim, pois acredita que é um
importante instrumento de difusão de tudo que diz respeito à escola; uma outra
disse que sim, para informações, divulgações e interesse por esse meio de
comunicação; uma outra entrevistada falou que sim, pois ajuda na educação dos
alunos; uma aluna respondeu que sim, pois deve sempre comunicar algo para
professores e alunos; uma outra aluna falou que sim, porque fala os acontecimentos
da escola; um aluno disse que sim, porque é um fundamento importante para as
pessoas, ela nos informa e nos diverte; uma aluna falou que ela ajuda a
enxergar a realidade do mundo atual; uma outra respondeu que sim, pois as
pessoas ficam informadas, atualizadas com as notícias; uma outra disse que sim,
pois ela fala o que acontece na escola; uma outra falou que é importante porque
ela gosta de escutar as músicas; um aluno disse que sim, porque interage a
educação dos alunos; um outro falou que sim, pois ajuda os alunos a aprenderem
mais rápido.
Como
se percebe, os entrevistados veem na rádio escolar uma ferramenta
importantíssima para o desenvolvimento cognitivo dentro da unidade escolar,
pois não só na difusão de informações, mas na construção do conhecimento, no
dia a dia do fazer pedagógico, isso permite que todos tenham sua voz refletida
nas ondas do rádio.
Como
enfatiza CONSANI:
“permitir que todos os participantes
do processo educativo tenham voz e vez – o que se consegue disponibilizando o acesso
aos instrumentos da radiofonia e incentivando os mais tímidos a se expressarem,
ainda que por escrito (seus textos poderão ser lidos no ar por outros
colegas).” (CONSANI, 2012, p. 30).
Esse
é um dos objetivos da rádio escolar, permitir esse protagonismo entre seus
educandos no intuito de provocá-los quanto a essa participação e construção de
sua identidade e do seu fazer pedagógico.
Foi
perguntado quais programas de rádio o entrevistado escuta, um deles respondeu
que escuta o Classe Vendas, Germana Duarte e Programa do Bolero; um outro
respondeu que escuta noticiários, jornal, compra e venda; uma entrevistada
respondeu que escuta o Programa do Luiz Melo e Café com Notícias; um outro
disse que escuta Lima Junior; duas entrevistadas disseram que não escutam
nenhum programa; uma disse que não sabe; uma outra escuta jornais; duas escutam
mais programas de música; uma outra escuta o Programa do Moreno; uma disse que escuta vários programas; uma
falou que escuta programas religiosos e jornais.
O interesse
dos entrevistados é variado, pois escutam os mais diversificados programas,
porém, o que chama a atenção é que a maioria dos programas citados tem a mesma
linha, são programas de cunho jornalístico, por onde circundam notícias,
entretenimento e lazer.
Foi
perguntado que aspectos culturais gostaria que fossem abordados na rádio
escolar, uma entrevistada falou que acha importante que os alunos tenham acesso
as músicas regionais e as de raiz cultural, como o Marabaixo e o Batuque; uma
outra falou que deveriam ser abordados poesias, voz e violão, flauta doce e
coral, porque têm alunos com essas habilidades na escola; uma outra
entrevistada falou que deveria abordar programa relacionado a cultura
amapaense, porque resgata nossa cultura, nossa música; uma entrevistada disse
que deveria se falar sobre o noticiário do estado; uma entrevistada argumentou
que deveria se falar da realidade brasileira; muitos alunos tiveram dificuldade
em responder este quesito, deixando em branco.
Como
se percebe, os interesses dos entrevistados são plausíveis, pois tratam de
interesse da cultura local, do estado e do país, e o foco é esse mesmo, além
dos assuntos mencionados pelos entrevistados, a rádio escolar, visa a
implementação de projetos voltados para o aprendizado do aluno, dando suporte
para os projetos e ações da escola.
Quando
foi perguntado sobre o que mudou no ambiente escolar com a implantação da
rádio, uma entrevistada falou que mudou o entretenimento, o comportamento dos
alunos na hora do intervalo; uma entrevistada disse que as músicas na hora do
intervalo, relaxam e animam esse momento; uma outra disse que garantiu a
difusão de informações; uma aluna disse que com a rádio, os alunos ficaram mais
participativos; uma outra disse que ficou mais divertido; uma aluna falou que
várias coisas, pois agora temos alguém para ouvir; uma aluna disse que não
reparou; uma outra falou que não sabe; uma outra disse que deixa os alunos mais
calmos; uma outra falou que serviu de
descontração; oito entrevistadas disseram que a hora do recreio ficou mais
legal, mais animada; um entrevistado falou que todos ficam mais alegres; alguns
alunos não optaram por esse item.
Na
verdade a rádio escola mudou o cotidiano escolar, especialmente no horário do
intervalo, pois os alunos participam, oferecendo música e enviando mensagens
para seus colegas, professores e/ou suas turmas.
A
rádio escolar é uma ferramenta capaz de estimular o aluno no intuito de
garantir sua participação nos projetos da escola e em todas as atividades
inerentes a construção do conhecimento e o papel do professor é promover e
orientar processo.
Quando
perguntado que aspectos considera importantes para serem abordados na rádio,
uma entrevistada falou que devem ser abordados os aspectos culturais,
educacionais, curiosidades e lazer; uma entrevistada disse que devem ser
abordados assuntos sobre preconceito, drogas, aprendizagem, datas cívicas e
divulgação dos eventos da escola; uma entrevistada falou que deveria se
trabalhar campanhas de educação de uso dos copos, pratos e talheres da escola,
pois os alunos deixam esse material espalhados pela área da escola, os quais
deveriam ser devolvidos nos locais adequados; uma aluna disse que de vários
aspectos, de várias maneiras; uma entrevistada falou que é importante ouvir notícias
e músicas que tragam boas influências; duas entrevistadas falaram que deveria
abordar mais notícias da escola; uma entrevistada disse que músicas e notícias;
um entrevistado falou que deveria ter mais músicas novas e outras coisas que
são importantes para a escola; duas entrevistadas falaram que músicas e
notícias da cidade e da escola; uma entrevistada disse que deveria ser abordado
sobre a semana de provas e eventos que vão ocorrer na escola; uma aluna disse
que deveria se abordar de tudo.
Como
se vê, a rádio é uma ferramenta muito importante no ambiente escolar, pois
desperta o interesse de sua comunidade para as mais diversas atividades, cabe
aos seus responsáveis, promover políticas de inserção dessas atividades e
melhor, dos seus alunos e professores no contexto diário de sua programação e
dos projetos a serem desenvolvidos.
Foi
perguntado o que você acha do PROGRAMA A HORA DO RECREIO, uma entrevistada
falou que é importante porque acalma os alunos, eles mandam seus recados, os
mantem informados; uma entrevistada disse que não podia opinar, pois não
frequenta o refeitório na hora do intervalo; uma entrevistada respondeu que
acha excelente, especialmente quando os alunos são inseridos na programação e
podem interagir; uma aluna disse que acha muito bacana; três alunos disseram
que é muito legal; dois alunos falaram que é muito legal pra descontração de
todos; três alunas falaram que é muito legal, mas gostaria de escutar mais
músicas animadas; duas entrevistadas disseram que é muito legal porque deixa a
escola e o recreio mais animado; uma aluna disse que é um programa muito
interessante; uma entrevistada falou que é um programa muito divertido e legal;
alguns alunos disseram que o programa é bom.
Como
se vê na resposta dos entrevistados, eles gostam desse momento, pois tem a
facilidade de participar mandando seus recados, oferecendo suas músicas e isso
tem causado uma satisfação enorme neles, mudou realmente a rotina do horário do
intervalo. O Programa a Hora do Recreio, possibilita informação, lazer e
entretenimento aos alunos e a escola como um todo na hora do intervalo.
Como se percebeu, os alunos se posicionaram falando da
importância da rádio na vida escolar, pois melhorou o intervalo, agora tem
momentos de descontração, animação, entretenimento e informação; trazendo
calmaria no momento do lanche que antes era muito tumultuado, sem falar que dá
oportunidade ao aluno de participar, interagir com os colegas, professores e
demais funcionários.
Os professores, a merendeira e a
coordenadora pedagógica, salientaram que a rádio escola é uma ferramenta
pedagógica muito importante, pois é um instrumento de difusão de tudo o que diz
respeito à escola, caracterizando-se num mecanismo de inserção e interação,
oportunizando aos educandos o acesso a culturas regionais, garantindo a difusão
de informações, sendo ainda um veículo capaz de proporcionar a aproximação da
coordenação pedagógica e direção da comunidade escolar, enfatizou-se ainda que
a rádio é importante no sentido de abordar os aspectos culturais, educacionais,
curiosidades e promover o lazer à comunidade escolar.
É essa interação que o projeto Rádio
escolar quer proporcionar a sua comunidade, onde seus educandos possam
construir e reconstruir seus conhecimentos com autonomia nesse ambiente colaborativo
de aprendizagem, apesar de muitos profissionais da educação ainda serem
resistentes quanto ao uso da tecnologia no processo ensino aprendizagem.
Como se percebe, a rádio escolar vem
promover políticas pedagógicas que nortearão o processo de construção do
conhecimento, dinamizando e diversificando esse processo, proporcionando ao
aluno momentos de reflexão, interação e promoção social.
Considerações
Finais
O presente trabalho foi resultado de um estudo realizado
em uma escola pública de Macapá sobre a utilização da rádio escola e sua
importância no processo de construção do conhecimento, o estudo mostrou que os
alunos estão muito satisfeitos com as mudanças que esse meio de comunicação
trouxe para a escola e que possibilita suas participações no dia a dia da
rádio, enfatizando que gostam do programa que está sendo executado e que
gostariam de participar mais ativamente da grade de programação e na execução
de projetos culturais da rádio.
Para os profissionais da escola, a rádio é uma importante
ferramenta didático pedagógica, que contribui significativamente com o processo
de construção do conhecimento, embora seja necessário implementar projetos que
possam promover uma maior participação da comunidade escolar
A rádio
escola promove a inserção do aluno que muitas vezes apresenta dificuldades
cognitivas, psicomotoras e comportamentais os quais são excluídos de várias
atividades ao longo dos bimestres, portanto, a proposta da rádio é promover a
inclusão desse aluno, no entanto, o professor terá papel de articulador de
propostas que fomentarão essa participação do aluno.
A
pesquisa me proporcionou fazer uma análise do uso do
rádio como ferramenta didático pedagógica no ambiente escolar, e como esse meio tecnológico contribui para a construção do
conhecimento dinamizando e facilitando essa construção, bem como aumentando
significativamente o interesse do aluno pela aprendizagem.
O
trabalho de pesquisa serviu para enriquecer o conhecimento do pesquisador,
aliado aos já adquiridos durante sua vida acadêmica e no transcorrer do curso,
as leituras realizadas, a elaboração de trabalhos e participações em fóruns de
discussões no ambiente de aprendizagem, foram essenciais para o dinamismo e
elaboração deste trabalho de conclusão de curso.
A
pesquisa foi extremamente importante para mostrar o quanto é relevante o uso da
tecnologia na prática docente do professor e especificamente o rádio tem um
diferencial no dia a dia do fazer pedagógico, o objetivo do trabalho foi
exatamente fazer esse levantamento, o qual foi satisfatório, pois serviu para
mostrar que o aluno tem grande interesse na utilização da mídia rádio na
construção do seu conhecimento.
Portanto, cabe salientar que este trabalho foi
muito importante para o enriquecimento do conhecimento do pesquisador como já
foi mencionado antes e servirá de base para pesquisas posteriores, pois está
linha de pesquisa é muito abrangente e ficou evidente que o uso do rádio na
educação foco de estudo deste trabalho é extremamente importante para o sucesso
do processo de construção do conhecimento, pois alunos e professores
trabalhando juntos nessa construção com o uso dessa tecnologia se torna mais
fácil e dinâmico essa leitura de mundo e esse dinamismo passa a fazer parte da
vida acadêmica tanto de professores, quanto de alunos. Esse entendimento, essa
praticidade e dinamismo que a tecnologia vem oferecer faz parte desse mundo
globalizado e tanto professores quanto alunos precisam estar inseridos nesse
contexto, e este trabalho veio referendar e mais, confirmar essa verdade.
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