quarta-feira, 13 de junho de 2018

ARTIGO


O Rádio como Ferramenta Didático Pedagógica no Ambiente Escolar
Radio as Pedagogical Teaching Tool in the School Environment

Manoel da Ressurreição Farias Pinto*
Jacks de Mello Andrade Junior**
Resumo
A rádio escolar é uma ferramenta capaz de promover políticas pedagógicas que nortearão o processo de ensino e aprendizagem, dinamizando-o e diversificando-o, proporcionando ao aluno momentos de reflexão, interação e promoção social. Este trabalho é o recorte de uma pesquisa realizada em uma escola pública na cidade de Macapá, capital do Estado do Amapá, no intuito de averiguar como a rádio escolar atua e torna-se uma ferramenta pedagógica impactante no processo de construção do conhecimento.

Palavras-chave: tecnologias, comunicação, ensino, pedagogia.

Abstract

School radio is a tool capable of promoting pedagogical policies that will guide the teaching and learning process, streamlining and diversifying it, providing the student with moments of reflection, interaction and social promotion. This work is part of a research carried out in a school in the city of  Macapá – AP, in order to find out how school radio acts and becomes a pedagogical tool impacting in the process of knowledge construction.

Keywords: technologies, communication, teaching, pedagogy;

Introdução

Este trabalho de pesquisa tem como foco a utilização da rádio como ferramenta didático pedagógica no ambiente escolar, mais especificamente nas séries finais do Ensino Fundamental II da Escola Estadual Professora Maria de Nazaré Pereira Vasconcelos, na cidade de Macapá, no Estado do Amapá, onde se buscou averiguar como está sendo uti­lizada a rádio escola como ferramenta didático pedagógica e quais contribuições essa ferramenta trouxe para o dia a dia da escola, quais impactos provocou na vida da comunidade escolar e no convívio dos alunos, pois a tecnologia é uma realidade na educação brasileira, porém, se tem percebido que os profissionais não dispõem do devido preparo para atuar satisfatoriamente nesse contexto de mudanças e inovações tecnológicas. Muitos professores tem grande dificuldade de inserir em sua prática pedagógica a tecnologia por falta de habilidade decorrente do seu despreparo no uso dessas ferramentas, outros nem tanto, pois já se vê um grupo crescente de profissionais da educação fazendo o uso desses aparatos tecnológicos no seu fazer pedagógico e essa prática será mais constante se o profissional da educação se inserir na formação continuada prevista na LDB 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional).
A escola campo está localizada na Rua dos Oliveiras, no bairro das Pedrinhas, na cidade de Macapá, capital do Estado do Amapá, atendendo a uma clientela de 1.100 alunos do Ensino de 5º ao 9º anos, 3ª e 4ª etapas da EJA (Educação de Jovens e Adultos) do Ensino Fundamental II e 1ª Etapa do Ensino Médio EJA, implantado em 2018. 
A Escola é composta por uma diretora, um diretor adjunto, uma secretária escolar, um corpo técnico com 4 (quatro) profissionais distribuídos nos três turnos, 70 (setenta) professores das mais diversas áreas do conhecimento, 11(onze) auxiliares de serviços gerais, 9 (nove) merendeiras, existem 3(três) funcionárias do quadro federal a disposição do estado que atuam como auxiliares na secretaria da escola. 
A escola possui 16 salas de aula, sala da direção, uma biblioteca, secretaria escolar, sala do serviço técnico, sala do AEE (Atendimento Educacional Especializado), sala dos professores (as), sala do Núcleo de Práticas Restaurativas, LIED (Laboratório de Informática Educativa), sala de leitura, estúdio da Rádio Escola, Tv escola, quadra poliesportiva, depósito de merenda, depósito de material permanente e de limpeza, cozinha e lanchonete.
A escola atende áreas periféricas da cidade, tais como os bairros do Araxá, Pedrinhas, Muca, Marco Zero e Jardim Equatorial, os alunos oriundos desses bairros, são quase que na sua totalidade pertencentes a famílias de baixa renda, não usufruindo de saneamento básico, rede de esgoto e uma residência adequada, pois uma grande parte deles reside em invasões e palafitas, as quais muitas vezes o acesso é muito difícil, feito através de passarelas construídas em madeira.
Os professores da escola são todos graduados e uma grande parte pós-graduados, tendo em seu quadro mestres, mestrandos e um doutorando. Todos os servidores dos serviços gerais e as merendeiras possuem o ensino médio completo e existe uma merendeira fazendo curso superior.

A POTENCIALIDADE DOS RECURSOS TECNOLÓGICOS NA EDUCAÇÃO
Os aparatos tecnológicos, tem se desenvolvido ao longo dos tempos, o homem pré-histórico já se utilizava de tecnologias para organizar, fabricar seus utensílios, suas ferramentas. Uma prova disso, são os registros através de símbolos iconográficos mostrando como eles pescavam, viviam, caçavam, como realizavam seus rituais e suas danças (KENSKI, 2003; MARCONDES FILHO, 1988,1994).
Segundo Pons, no campo educacional, a tecnologia surgiu na década de 40 nos Estados Unidos como componente curricular na Universidade de Indiana, nos estudos de educação Audiovisual constituindo o primeiro campo específico da tecnologia educativa. A Psicologia da aprendizagem na década de 1950, se torna campo de estudo curricular da tecnologia educacional, influenciando para que esta se desenvolvesse como disciplina dos currículos pedagógicos.
Portanto, como se vê, a tecnologia atravessa gerações contribuindo com a construção do conhecimento e ela está presente em todas as áreas do conhecimento e na educação não é diferente, pois os alunos estão cada vez mais inseridos nesse contexto.
O que se percebe é que não há uma formação adequada para o professor para que ele possa utilizar as ferramentas digitais disponíveis na escola, o que se vê são oficinas ministradas nos núcleos de tecnologias educacionais o que parece não preparar o professor satisfatoriamente para que este insira de maneira eficaz essas ferramentas no dia a dia do seu fazer pedagógico, causando com isso certo desconforto e uma eminente frustação nele e nos alunos. Essa nova forma de se fazer educação requer novos conhecimentos a esse profissional, porém, ele ainda está longe de fazer o uso adequado desses aparatos por falta desse preparo, dessa habilidade.
Para Moran (2012, p.13);

a educação fundamental é feita pela vida, pela reelaboração mental-emocional das experiências pessoais, pela forma de viver, pelas atitudes básicas da vida e de nós mesmos’. Assim, o uso das TIC na escola auxilia na promoção social da cultura, das normas e tradições do grupo, ao mesmo tempo, é desenvolvido um processo pessoal que envolve estilo, aptidão, motivação. A exploração das imagens, sons e movimentos simultâneos ensejam aos alunos e professores oportunidades de interação e produção de saberes.


A tecnologia é uma ferramenta importante na construção do conhecimento, porém, o professor é o administrador do processo, é ele que media com a ajuda das ferramentas digitais todo o ensino, auxiliando seu aluno no decorrer de todo o processo de aprendizagem. A tecnologia proporcionou mudanças na forma de ensinar e construir conhecimento, trazendo novas demandas para o professor, não apenas como recursos midiáticos e tecnológicos, mas o professor precisa elaborar novas metodologias e formas no seu fazer pedagógico, para que possa inserir eficazmente esses aparatos tecnológicos no intuito de se construir conhecimentos que sejam significativos na vida do aluno.
Como se vê, as TIC (Tecnologia de Informação e Comunicação) têm uma importância significativa na vida da sociedade, elas vieram transformar de modo excepcional os organismos sociais, pois elas estão inseridas em todos os seguimentos da sociedade, em todas as áreas do conhecimento, e na educação ela oferece amplos recursos para que professores e alunos a utilizem na construção do conhecimento como meio facilitador do processo ensino aprendizagem, entretanto, cabe a estes agentes, fazerem o bom uso desses aparatos tecnológicos.
                        Segundo (ARAÚJO, 2017), O rádio é um veículo de comunicação de longo alcance e muito utilizado principalmente pela massa populacional da Amazônia e tem uma função social muito importante, sendo responsável em levar informação e entretenimento, contribuindo significativamente com as populações de todas as regiões do país.
À escola compete, formar pessoas que compreendam e dominem o sistema de produção de informação, partindo dessa premissa, a Escola Estadual Maria de Nazaré Pereira Vasconcelos, através do Projeto “Radio Escola”, objetiva a formação de cidadãos críticos e participativos no intuito de melhorar sua capacidade criadora para que possam atuar com zelo e responsabilidade na vida em comunidade, melhorando assim, a sua comunicação e concomitantemente o processo de construção do conhecimento, considerando o conhecimento prévio do aluno, para que se possa utilizar esse potencial e contribuir com o processo ensino aprendizagem, tendo ele, participação ativa nesse processo.
O projeto rádio escola quer suprir em seus alunos a deficiência de compreensão e demais dificuldades no processo ensino aprendizagem e desenvolver competências e habilidades referentes às tecnologias de comunicação, desenvolvimento de leitura, oralidade e expressão corporal. 
A escola como espaço privilegiado de construção do conhecimento, deve promover ações pedagógicas inovadoras no sentido de vencer as dificuldades, utilizando-se de ferramentas tecnológicas, e neste caso os meios de comunicação, para que com a implementação da rádio escola, esta possa contribuir com a formação de seus alunos, para que estes possam se apropriar e produzir conhecimentos e assim serem sujeitos de sua própria história.
O projeto “Rádio escola”, está sendo desenvolvido no intuito de melhorar o desenvolvimento da escrita e oralidade dos alunos, pois se entende que o rádio é um meio de comunicação que envolve o aluno, estimulando sua capacidade criadora e facilitando o processo ensino aprendizagem.
As novas tecnologias surgiram para melhorar a vida das pessoas, se bem utilizadas, elas servirão de ferramentas, de suporte técnico tecnológico para a construção do conhecimento. A rádio é uma dessas ferramentas, que servem de suporte para que professores e alunos possam construir conhecimento significativo, ajudando de forma efetiva, estimulando o melhor desenvolvimento escolar do educando, tais ferramentas tecnológicas agem como facilitadoras desse processo de construção do conhecimento, agindo de forma transformadora, uma vez que o aluno parte da teoria para a prática. 
Hoje, a tecnologia proporciona esses momentos de interação e construção na vida das pessoas, porém, o profissional da educação precisa estar preparado para adequar essas ferramentas a sua prática pedagógica.
Para Almeida (2000, p.11):
[...] A minha participação em tais atividades de formação fez com que eu me conscientizasse de que a adequada preparação do professor é o componente fundamental para o uso do computador em educação, segundo uma perspectiva perceptiva crítico-reflexiva. 
Essa reflexão tem que fazer parte do dia a dia da escola, o professor juntamente com a coordenação pedagógica e administrativa escolar, precisam estar conectados com essa problemática, pois sem essa formação continuada torna-se inviável introduzir a tecnologia na educação, o professor precisa se dispor para esta formação. A qualificação profissional é que vai dirimir os rumos de uma educação de qualidade voltada para o desenvolvimento intelectual tecnológico do educando, mas antes o professor precisa passar por essa qualificação. 
Valente (1999), enfatiza que, a tecnologia é um recurso que objetiva a resolução de problemas concernentes as necessidades do sujeito em determinada realidade social. Pode-se dizer entretanto, que a tecnologia pode fazer a diferença na vida do sujeito que vive em vulnerabilidade social, proporcionando-lhe vivenciar uma outra realidade, pois através dos meios tecnológicos o indivíduo pode libertar-se, pois a educação é o maior meio, o melhor e maior canal de liberdade, de desprendimento da ignorância que o indivíduo está submetido, saindo da inércia para o mundo das descobertas e do desenvolvimento social e cultural. 
As razões da incorporação das TIC às práticas educativas são:
Adequação do sistema escolar às características da sociedade da informação; preparação de crianças e jovens para as novas formas culturais digitais; incremento e melhoria da qualidade dos processos de ensino; inovação dos métodos e materiais didáticos, entre outros (SANCHO et. al., 2006, p. 153) 
Como se observa, a escola precisa adequar-se aos meios tecnológicos disponíveis para que possa oferecer aos seus alunos de todas as faixas etárias, níveis e modalidades de ensino, essa possibilidade de mudança na sua aprendizagem, preparar seus educandos para essa nova cultura digital é papel da escola e de seus precursores, o professor precisa estar preparado para oferecer essa melhoria da qualidade da educação através dos meios midiáticos, inovando seus métodos e adequando seus materiais didáticos a essa nova realidade.
Moran (2013, p. 29) afirma que:
Nosso desafio é caminhar para um ensino e uma educação de qualidade, que integre todas as dimensões do ser humano, para isso, precisamos de pessoas que façam essa integração, em si mesmas, do sensorial, intelectual, emocional, ético e tecnológico, que transitem de forma fácil entre o pessoal e o social, que expressem nas palavras e ações que estão sempre evoluindo, mudando, avançando. 
Está se caminhando sim, para uma educação tecnológica onde o professor trabalha integrando a tecnologia a todas as dimensões do indivíduo, porém, o momento não é só de experimentar ou simplesmente inserir no contexto escolar o uso das novas tecnologias, mas também de se fazer uma reflexão da inserção desses recursos tecnológicos no dia a dia da comunidade escolar, pois se sabe que a escola não disponibiliza de recursos materiais e mão de obra qualificada, o que comprometeria o acesso às novas tecnologias a todos que compõem a escola, outra situação é a formação do professor, que em grande parte não está qualificado para adequar essa ferramenta ao currículo, comprometendo sua utilização para fins educativos, pois o que se vê muito é a utilização desses aparatos tecnológicos como meios de entretenimento e lazer. Sabe-se que as tecnologias podem proporcionar inúmeras oportunidades de acesso a informação e consequentemente favorecer a construção do conhecimento, e claro, todos os educadores são sabedores desse potencial, porém, vale ressaltar que a escola ainda está longe de proporcionar ao seu educando essa facilitação, pois apesar dos investimentos, ainda é pouco para a demanda e os recursos insuficientes para atender as necessidades da educação, haja vista que as escolas estão mal equipadas e sem mão de obra qualificada para sanar seus problemas técnicos, ou sem recursos para garantir essa manutenção. Podemos chamar de discursivo a política praticada pelo governo, pois os recursos disponibilizados à educação, não suprem as necessidades básicas da escola no campo tecnológico.
O desafio do professor é aliar tecnologia ao aprendizado do aluno, promovendo uma educação eficiente e atraente, mas como fazer isso, sem os devidos incentivos, pois quando entra nas salas ambientes o professor se depara com equipamentos obsoletos, sem internet ou sem acesso a grande rede, sem falar na resistência de alguns profissionais ou sua indiferença e rejeição a essa nova forma de se fazer educação.
                                                                        
O rádio no Brasil

Segundo Castro, (fundador da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT), o rádio no Brasil, surgiu no dia 07 de setembro de 1922, por ocasião das comemorações do centenário da Proclamação da Independência, transmitindo a fala do presidente Epitácio Pessoa, quando na oportunidade foi inaugurada a radiotelefonia brasileira, a partir daí, Roquette Pinto, um médico que pesquisava a radioeletricidade para fins fisiológicos, convenceu a Academia Brasileira de Ciências a promover o patrocínio da criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, sendo que a rádio começa suas operações no dia 30 de abril de 1923.
De acordo com Castro, entre os anos de 1923 e 1924, muitas rádios surgiram pelo país, dentre as quais podemos citar: a Sociedade Rádio Pelotense em Pelotas, no Rio Grande do Sul; A Rádio Sociedade Gaúcha, em Porto Alegre; A Rádio Club Belo Horizonte, em Minas Gerais; a Rádio Club Paranaense, em Curitiba; a Rádio Club São Paulo, na capital paulista; a Rádio Club Ribeirão Preto, a primeira emissora do interior; a Rádio Club do Pará, a pioneira do extremo Norte do país, dentre outras. Todas essas rádios nasceram como clubes e sociedades, pois a legislação brasileira proibia o uso de publicidade, sendo portanto, sustentadas por seus associados, resultando assim, em empreendimentos da sociedade civil organizada.
Castro afirma que, no ano de 1935, é inaugurada a Rádio Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, pelo governo Getúlio Vargas, responsável pela transmissão da Voz do Brasil, programa transmitido até hoje. A partir daí, surge também a Rádio Kosmos em São Paulo, que cria os primeiros programas de auditório, permitindo a participação popular, quando surgem os primeiros ídolos do rádio, como: Linda Batista, Araci de Almeida, Francisco Alves, Carmen Miranda, Orlando Silva, Silvio Caldas, dentre outros. Também foi a primeira emissora a constituir uma equipe de jornalistas. No ano seguinte, acontece a inauguração da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a primeira grande emissora brasileira, líder de audiência durante duas décadas. Em 1937, acontece a inauguração da Rádio Tupi de São Paulo, elegendo a cantora Linda Batista como a “Rainha do Rádio”.
Castro afirma que, no ano de 1997, 90,3% dos lares brasileiros são equipados com aparelhos de rádio, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 
Para Castro, as rádios virtuais na internet começam a se destacar a partir do ano de 2000, nesse período entra em atividade a radio click do Sistema globo de Rádio, sendo que a partir de 2005, as principais emissoras começam a testar a difusão digital de sua programação.

O rádio na Amazônia

            Em seu artigo “A Voz da Amazônia nos anos 30: Rádio, Intelectuais e Política”, Érito Vânio Bastos de Oliveira, relata que a radiodifusão na Amazônia, surgiu no dia 22 de abril de 1928, esta data é o marco inicial da radiodifusão na região, foi após reunião no Largo da Trindade, em Belém do Pará, que contou com a presença de autoridades da época que se criou a Rádio Clube do Pará. Assim, se concretiza o sonho de uma emissora de rádio e o princípio das primeiras transmissões radiofônicas na Amazônia, concretizava-se assim, no final da década de 1920, a Amazônia, tal igual ao restante dos principais centros do país, tinha sua rádio implantada e em funcionamento.
Para o autor acima citado, a ideia de se criar uma emissora de rádio na Amazônia, surgiu dos intelectuais da época, dentre eles existiam políticos, militares, médicos, músicos, dentre outros. A Rádio Clube do Pará, foi organizada como uma associação ou clube, onde seus associados pagavam taxas ou mensalidades, que gozavam de algum tipo de benefício ou privilégio.
                            Segundo Oliveira, a rádio tem um papel muito importante na vida dos amazônidas, pois com seu alcance, ela serviu para integrar socialmente as populações dos mais longínquos lugares, favorecendo ao povo tomar conhecimento ou criar sua identidade nacional, sendo que o primeiro programa responsável por essa mudança, foi o que se utilizava do prefixo, “a voz que fala e canta para a planície”, porém, essa identidade, era patrocinada pelo governo Vargas, que comandava o país na época, também era muito comum nesse período, palestras e conferências, que discorriam sobre variadas temáticas, contribuindo dessa formação social, saúde e educação da população, e aqui se percebe como o rádio é esse veículo de comunicação de massa, capaz de transformar uma sociedade.

Metodologia

O presente trabalho teve como método de pesquisa o estudo de caso e como técnica de pesquisa a entrevista estruturada, elaborada em forma de questionário. Os sujeitos dessa pesquisa foram: um professor de história, uma professora coordenadora da biblioteca escolar, dois professores do AEE (Atendimento Escolar Especializado), uma merendeira, uma coordenadora pedagógica e 25 alunos de três turmas do sétimo ano do Ensino Fundamental II.
A coleta de dados se deu mediante a apresentação do projeto para o corpo técnico e administrativo da escola campo e posteriormente foi entregue o questionário aos entrevistados, que responderam no mesmo dia da entrega e devolvido ao pesquisador. Os dados foram registrados em uma ficha e depois digitados para tabu­lação dos resul­tados.
Para esse tipo de pesquisa, Triviños (1987, p.133-134) considera como uma ca­tegoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa profundamente. Ex­põe, também, que a complexidade do exame aumenta à medida que se aprofunda o assunto.
Para Vergara (2000, p.46), a coleta de dados é a forma de como se obtêm os dados necessários para responder ao problema. Assim, os meios utilizados para a investigação dos dados foram: pes­quisa de campo, bibliográfica e estudo de caso. A pesquisa de campo é, com efeito, uma investigação empírica, realizada no local em que há os elementos necessários.

Discussão dos resultados

O levantamento foi estruturado em forma de questionário e entregue a alguns professores, a uma supervisora escolar, a uma merendeira e a 25 alunos, porém, alguns profissionais não devolveram, bem como alguns alunos. A estrutura do questionário foi realizada com 10 (dez) perguntas abertas, preservando a identificação dos entrevistados.
Quando perguntado sobre a existência de rádio na residência, 18 dos entrevistados responderam que sim, possuem Rádio em casa; 7 responderam que não.
Como se percebe, o rádio ainda faz parte do convívio de muitos lares brasileiros, que se utilizam desse meio de comunicação para se manterem informados ou para seu entretenimento.
 Quando perguntado se escuta rádio, 16 responderam que sim; 4 disseram que não escutam e 5 disseram que escutam de vez em quando.
O questionamento acima permitiu verificar o interesse das pessoas pela utilização da mídia rádio no seu dia a dia, apesar de se verificar o crescente crescimento das tecnologias digitais, mas o interesse pelo rádio ainda permanece nas pessoas. 
Perguntado sobre a frequência com que se escuta rádio, um entrevistado falou que escuta diariamente no carro; 4 responderam que todo dia; 6 com pouca frequência; 5 quando vai dormir; 4 no final de semana e 5 não responderam essa pergunta.
Como se percebe o rádio ainda é um importante e abrangente veículo de comunicação e na escola ele deve auxiliar o processo de construção do conhecimento, sendo um espaço democrático de ampliação desse conhecimento.
 Foi perguntado se o entrevistado possuía celular, 17 responderam que sim e 8 disseram não possuir.
Essa tecnologia já faz parte do cotidiano da maioria dos brasileiros, porém, uma grande parte dos alunos entrevistados não dispõe desse aparato tecnológico por pertencerem a classe social de baixíssima renda.
Quando perguntado se gosta de ouvir rádio, 18 responderam que sim; 2 responderam que não e 5 disseram que um pouco ou mais ou menos.
                        Esse interesse pelo rádio é muito importante para o desenvolvimento intelectual do indivíduo, pois esse veículo de comunicação mantem seus ouvintes atualizados e bem informados. “O rádio tem a vantagem de ser uma mídia flexível, permitindo uma reportagem com informações de qualquer lugar do mundo e proporcionando a atualização rápida de material a custos técnicos reduzidos” (MOORE e KEARSLEY, 2007).
Quando pergunta se a pessoa considera a rádio escolar uma ferramenta pedagógica importante, uma entrevistada respondeu que sim, pois acredita que é um importante instrumento de difusão de tudo que diz respeito à escola; uma outra disse que sim, para informações, divulgações e interesse por esse meio de comunicação; uma outra entrevistada falou que sim, pois ajuda na educação dos alunos; uma aluna respondeu que sim, pois deve sempre comunicar algo para professores e alunos; uma outra aluna falou que sim, porque fala os acontecimentos da escola; um aluno disse que sim, porque é um fundamento importante para as pessoas, ela nos informa e nos diverte; uma aluna falou que ela ajuda a enxergar a realidade do mundo atual; uma outra respondeu que sim, pois as pessoas ficam informadas, atualizadas com as notícias; uma outra disse que sim, pois ela fala o que acontece na escola; uma outra falou que é importante porque ela gosta de escutar as músicas; um aluno disse que sim, porque interage a educação dos alunos; um outro falou que sim, pois ajuda os alunos a aprenderem mais rápido.
Como se percebe, os entrevistados veem na rádio escolar uma ferramenta importantíssima para o desenvolvimento cognitivo dentro da unidade escolar, pois não só na difusão de informações, mas na construção do conhecimento, no dia a dia do fazer pedagógico, isso permite que todos tenham sua voz refletida nas ondas do rádio.
Como enfatiza CONSANI:

“permitir que todos os participantes do processo educativo tenham voz e vez – o que se consegue disponibilizando o acesso aos instrumentos da radiofonia e incentivando os mais tímidos a se expressarem, ainda que por escrito (seus textos poderão ser lidos no ar por outros colegas).” (CONSANI, 2012, p. 30).
           
Esse é um dos objetivos da rádio escolar, permitir esse protagonismo entre seus educandos no intuito de provocá-los quanto a essa participação e construção de sua identidade e do seu fazer pedagógico.
Foi perguntado quais programas de rádio o entrevistado escuta, um deles respondeu que escuta o Classe Vendas, Germana Duarte e Programa do Bolero; um outro respondeu que escuta noticiários, jornal, compra e venda; uma entrevistada respondeu que escuta o Programa do Luiz Melo e Café com Notícias; um outro disse que escuta Lima Junior; duas entrevistadas disseram que não escutam nenhum programa; uma disse que não sabe; uma outra escuta jornais; duas escutam mais programas de música; uma outra escuta o Programa do Moreno;  uma disse que escuta vários programas; uma falou que escuta programas religiosos e jornais.
O interesse dos entrevistados é variado, pois escutam os mais diversificados programas, porém, o que chama a atenção é que a maioria dos programas citados tem a mesma linha, são programas de cunho jornalístico, por onde circundam notícias, entretenimento e lazer.
Foi perguntado que aspectos culturais gostaria que fossem abordados na rádio escolar, uma entrevistada falou que acha importante que os alunos tenham acesso as músicas regionais e as de raiz cultural, como o Marabaixo e o Batuque; uma outra falou que deveriam ser abordados poesias, voz e violão, flauta doce e coral, porque têm alunos com essas habilidades na escola; uma outra entrevistada falou que deveria abordar programa relacionado a cultura amapaense, porque resgata nossa cultura, nossa música; uma entrevistada disse que deveria se falar sobre o noticiário do estado; uma entrevistada argumentou que deveria se falar da realidade brasileira; muitos alunos tiveram dificuldade em responder este quesito, deixando em branco.
Como se percebe, os interesses dos entrevistados são plausíveis, pois tratam de interesse da cultura local, do estado e do país, e o foco é esse mesmo, além dos assuntos mencionados pelos entrevistados, a rádio escolar, visa a implementação de projetos voltados para o aprendizado do aluno, dando suporte para os projetos e ações da escola.
Quando foi perguntado sobre o que mudou no ambiente escolar com a implantação da rádio, uma entrevistada falou que mudou o entretenimento, o comportamento dos alunos na hora do intervalo; uma entrevistada disse que as músicas na hora do intervalo, relaxam e animam esse momento; uma outra disse que garantiu a difusão de informações; uma aluna disse que com a rádio, os alunos ficaram mais participativos; uma outra disse que ficou mais divertido; uma aluna falou que várias coisas, pois agora temos alguém para ouvir; uma aluna disse que não reparou; uma outra falou que não sabe; uma outra disse que deixa os alunos mais calmos; uma outra falou que  serviu de descontração; oito entrevistadas disseram que a hora do recreio ficou mais legal, mais animada; um entrevistado falou que todos ficam mais alegres; alguns alunos não optaram por esse item.
Na verdade a rádio escola mudou o cotidiano escolar, especialmente no horário do intervalo, pois os alunos participam, oferecendo música e enviando mensagens para seus colegas, professores e/ou suas turmas.
A rádio escolar é uma ferramenta capaz de estimular o aluno no intuito de garantir sua participação nos projetos da escola e em todas as atividades inerentes a construção do conhecimento e o papel do professor é promover e orientar processo.
Quando perguntado que aspectos considera importantes para serem abordados na rádio, uma entrevistada falou que devem ser abordados os aspectos culturais, educacionais, curiosidades e lazer; uma entrevistada disse que devem ser abordados assuntos sobre preconceito, drogas, aprendizagem, datas cívicas e divulgação dos eventos da escola; uma entrevistada falou que deveria se trabalhar campanhas de educação de uso dos copos, pratos e talheres da escola, pois os alunos deixam esse material espalhados pela área da escola, os quais deveriam ser devolvidos nos locais adequados; uma aluna disse que de vários aspectos, de várias maneiras; uma entrevistada falou que é importante ouvir notícias e músicas que tragam boas influências; duas entrevistadas falaram que deveria abordar mais notícias da escola; uma entrevistada disse que músicas e notícias; um entrevistado falou que deveria ter mais músicas novas e outras coisas que são importantes para a escola; duas entrevistadas falaram que músicas e notícias da cidade e da escola; uma entrevistada disse que deveria ser abordado sobre a semana de provas e eventos que vão ocorrer na escola; uma aluna disse que deveria se abordar de tudo. 
Como se vê, a rádio é uma ferramenta muito importante no ambiente escolar, pois desperta o interesse de sua comunidade para as mais diversas atividades, cabe aos seus responsáveis, promover políticas de inserção dessas atividades e melhor, dos seus alunos e professores no contexto diário de sua programação e dos projetos a serem desenvolvidos. 
Foi perguntado o que você acha do PROGRAMA A HORA DO RECREIO, uma entrevistada falou que é importante porque acalma os alunos, eles mandam seus recados, os mantem informados; uma entrevistada disse que não podia opinar, pois não frequenta o refeitório na hora do intervalo; uma entrevistada respondeu que acha excelente, especialmente quando os alunos são inseridos na programação e podem interagir; uma aluna disse que acha muito bacana; três alunos disseram que é muito legal; dois alunos falaram que é muito legal pra descontração de todos; três alunas falaram que é muito legal, mas gostaria de escutar mais músicas animadas; duas entrevistadas disseram que é muito legal porque deixa a escola e o recreio mais animado; uma aluna disse que é um programa muito interessante; uma entrevistada falou que é um programa muito divertido e legal; alguns alunos disseram que o programa é bom. 
Como se vê na resposta dos entrevistados, eles gostam desse momento, pois tem a facilidade de participar mandando seus recados, oferecendo suas músicas e isso tem causado uma satisfação enorme neles, mudou realmente a rotina do horário do intervalo. O Programa a Hora do Recreio, possibilita informação, lazer e entretenimento aos alunos e a escola como um todo na hora do intervalo. 
Como se percebeu, os alunos se posicionaram falando da importância da rádio na vida escolar, pois melhorou o intervalo, agora tem momentos de descontração, animação, entretenimento e informação; trazendo calmaria no momento do lanche que antes era muito tumultuado, sem falar que dá oportunidade ao aluno de participar, interagir com os colegas, professores e demais funcionários. 
Os professores, a merendeira e a coordenadora pedagógica, salientaram que a rádio escola é uma ferramenta pedagógica muito importante, pois é um instrumento de difusão de tudo o que diz respeito à escola, caracterizando-se num mecanismo de inserção e interação, oportunizando aos educandos o acesso a culturas regionais, garantindo a difusão de informações, sendo ainda um veículo capaz de proporcionar a aproximação da coordenação pedagógica e direção da comunidade escolar, enfatizou-se ainda que a rádio é importante no sentido de abordar os aspectos culturais, educacionais, curiosidades e promover o lazer à comunidade escolar.
É essa interação que o projeto Rádio escolar quer proporcionar a sua comunidade, onde seus educandos possam construir e reconstruir seus conhecimentos com autonomia nesse ambiente colaborativo de aprendizagem, apesar de muitos profissionais da educação ainda serem resistentes quanto ao uso da tecnologia no processo ensino aprendizagem.
Como se percebe, a rádio escolar vem promover políticas pedagógicas que nortearão o processo de construção do conhecimento, dinamizando e diversificando esse processo, proporcionando ao aluno momentos de reflexão, interação e promoção social.

Considerações Finais

O presente trabalho foi resultado de um estudo realizado em uma escola pública de Macapá sobre a utilização da rádio escola e sua importância no processo de construção do conhecimento, o estudo mostrou que os alunos estão muito satisfeitos com as mudanças que esse meio de comunicação trouxe para a escola e que possibilita suas participações no dia a dia da rádio, enfatizando que gostam do programa que está sendo executado e que gostariam de participar mais ativamente da grade de programação e na execução de projetos culturais da rádio.
Para os profissionais da escola, a rádio é uma importante ferramenta didático pedagógica, que contribui significativamente com o processo de construção do conhecimento, embora seja necessário implementar projetos que possam promover uma maior participação da comunidade escolar
A rádio escola promove a inserção do aluno que muitas vezes apresenta dificuldades cognitivas, psicomotoras e comportamentais os quais são excluídos de várias atividades ao longo dos bimestres, portanto, a proposta da rádio é promover a inclusão desse aluno, no entanto, o professor terá papel de articulador de propostas que fomentarão essa participação do aluno.
A pesquisa me proporcionou fazer uma análise do uso do rádio como ferramenta didático pedagógica no ambiente escolar, e como esse meio tecnológico contribui para a construção do conhecimento dinamizando e facilitando essa construção, bem como aumentando significativamente o interesse do aluno pela aprendizagem.
O trabalho de pesquisa serviu para enriquecer o conhecimento do pesquisador, aliado aos já adquiridos durante sua vida acadêmica e no transcorrer do curso, as leituras realizadas, a elaboração de trabalhos e participações em fóruns de discussões no ambiente de aprendizagem, foram essenciais para o dinamismo e elaboração deste trabalho de conclusão de curso.
A pesquisa foi extremamente importante para mostrar o quanto é relevante o uso da tecnologia na prática docente do professor e especificamente o rádio tem um diferencial no dia a dia do fazer pedagógico, o objetivo do trabalho foi exatamente fazer esse levantamento, o qual foi satisfatório, pois serviu para mostrar que o aluno tem grande interesse na utilização da mídia rádio na construção do seu conhecimento. 
Portanto, cabe salientar que este trabalho foi muito importante para o enriquecimento do conhecimento do pesquisador como já foi mencionado antes e servirá de base para pesquisas posteriores, pois está linha de pesquisa é muito abrangente e ficou evidente que o uso do rádio na educação foco de estudo deste trabalho é extremamente importante para o sucesso do processo de construção do conhecimento, pois alunos e professores trabalhando juntos nessa construção com o uso dessa tecnologia se torna mais fácil e dinâmico essa leitura de mundo e esse dinamismo passa a fazer parte da vida acadêmica tanto de professores, quanto de alunos. Esse entendimento, essa praticidade e dinamismo que a tecnologia vem oferecer faz parte desse mundo globalizado e tanto professores quanto alunos precisam estar inseridos nesse contexto, e este trabalho veio referendar e mais, confirmar essa verdade.

Referências Bibliográficas

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